CORROSSIVE — Inmortuae: Buenos Aires Cuspindo Death Metal de Primeira Qualidade em 2026
A Corrossive voltou das sombras com o segundo álbum completo da carreira — e o death metal argentino nunca soou tão vivo.
Tem bandas que existem no underground como uma chama acesa debaixo de escombros: quase invisíveis para quem não sabe procurar, mas incandescentes pra quem chega perto. A Corrossive é exatamente isso. Formada em Buenos Aires em 2025 — na sua reconfiguração atual —, o quarteto argentino não chegou de mansinho: chegou com Inmortuae, um álbum completo de sete faixas lançado em 18 de maio de 2026, de forma totalmente independente, direto para o Spotify e plataformas digitais. Sem selo major. Sem padrinho. Só sangue, distorção e a brutalidade que a cena portenha sabe fabricar quando está em dia.
E olha — a discografia desses caras já entrega o contexto. O EP Overcome the Darkness (2016) e o single Hecatomb (2020) existiam antes do mundo atual da banda, mas foi com The Great Beyond (2021), o primeiro full-length, que a Corrossive mostrou que tinha substância pra mais. Agora, cinco anos depois, vem Inmortuae com uma maturidade que a cena underground latino-americana não pode ignorar.
O Álbum
Inmortuae abre da forma mais honesta possível: com a própria faixa-título, um instrumental de 49 segundos que funciona como portal — e não como enrolação. É uma declaração de intenção, um corredor estreito e sufocante antes da pancadaria começar de verdade.
E vem a pancadaria.
"Nigromante" (4:24) entra como um soco direto. A faixa já havia circulado como single antes do álbum — e faz sentido: é o tipo de abertura que prende pela garganta. O riff central tem aquela pegada OSDM com um gosto moderno que não é trend-hopping, é simplesmente boa composição. "Oscuro emerger" (3:23), outro dos singles que preparou o terreno para o lançamento, é a mais direta do disco — três minutos e pouco de death metal que não desperdiça um segundo.
A virada de chave acontece em "Entre la espada y la pared" (4:50) e "La congregación" (5:07), as faixas do meio que carregam o peso dramático do álbum. Aqui a banda deixa o groove trabalhar sem abrir mão da brutalidade — não é death metal melódico, não é progressive, é uma coisa que a Corrossive parece ter encontrado como identidade própria: riffs que machucam mas têm forma.
"Apóstatas" (6:01) e o fechamento épico de "La batalla de Aqueronte" (6:28) chegam como conclusão inevitável. A última faixa especialmente tem aquele peso de quem sabe que precisa fechar com chave de ouro — e fecha. Seis minutos e meio que passam sem que você perceba, o que é o maior elogio que se pode fazer a uma faixa de death metal.
A Formação e a Cena
A Corrossive atual é uma máquina de quatro pessoas bem calibradas: dois guitarristas (@the.magnificent.magician e @arcangel_djentcomo), baixo (@agustindunkel) e Martín Marques na bateria. O álbum foi mixado e masterizado por Diego Boquete — e a produção mostra: Inmortuae soa pesado sem soar bagunçado, algo que muita banda underground ainda não conseguiu equilibrar.
A identidade visual ficou nas mãos de Marcelo Germana, cujo trabalho na arte do álbum combina com a temática das letras — morte, rituais, batalhas mitológicas. A Astrid (@misfitastrid) assina a parte visual/editorial, e o próprio The Magnificent Magician dirigiu o material audiovisual da campanha. É uma banda que cuida da própria imagem sem depender de terceiros — underground de verdade, mas com profissionalismo.
Por Que Importa
O death metal argentino não é novidade — a cena de Buenos Aires tem histórico e peso. Mas o underground latino-americano segue sofrendo da mesma mazela de sempre: bandas surgem, lançam um demo, somem. A Corrossive existe desde 2016 com material no mundo, resistiu, e chegou em 2026 com o trabalho mais completo da carreira. Isso não é pouca coisa.
Inmortuae é um álbum de banda que sabe o que quer e sabe como fazer. Nada mais, nada menos — e no underground, isso já é mais do que suficiente pra merecer seu ouvido.
📍 Buenos Aires, Argentina 🎸 Corrossive | Instagram: @corrossivedeath 💿 Inmortuae — Full-length | Lançamento: 18/05/2026 | Independente 🎧 Ouça no Spotify: Link direto
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