sábado, 23 de maio de 2026

BUENOS AIRES SANGRA: CORROSSIVE LANÇA Inmortuae E PROVA QUE O UNDERGROUND NÃO MORREU

 






CORROSSIVE — Inmortuae: Buenos Aires Cuspindo Death Metal de Primeira Qualidade em 2026

A Corrossive voltou das sombras com o segundo álbum completo da carreira — e o death metal argentino nunca soou tão vivo.

Tem bandas que existem no underground como uma chama acesa debaixo de escombros: quase invisíveis para quem não sabe procurar, mas incandescentes pra quem chega perto. A Corrossive é exatamente isso. Formada em Buenos Aires em 2025 — na sua reconfiguração atual —, o quarteto argentino não chegou de mansinho: chegou com Inmortuae, um álbum completo de sete faixas lançado em 18 de maio de 2026, de forma totalmente independente, direto para o Spotify e plataformas digitais. Sem selo major. Sem padrinho. Só sangue, distorção e a brutalidade que a cena portenha sabe fabricar quando está em dia.

E olha — a discografia desses caras já entrega o contexto. O EP Overcome the Darkness (2016) e o single Hecatomb (2020) existiam antes do mundo atual da banda, mas foi com The Great Beyond (2021), o primeiro full-length, que a Corrossive mostrou que tinha substância pra mais. Agora, cinco anos depois, vem Inmortuae com uma maturidade que a cena underground latino-americana não pode ignorar.


O Álbum

Inmortuae abre da forma mais honesta possível: com a própria faixa-título, um instrumental de 49 segundos que funciona como portal — e não como enrolação. É uma declaração de intenção, um corredor estreito e sufocante antes da pancadaria começar de verdade.

E vem a pancadaria.

"Nigromante" (4:24) entra como um soco direto. A faixa já havia circulado como single antes do álbum — e faz sentido: é o tipo de abertura que prende pela garganta. O riff central tem aquela pegada OSDM com um gosto moderno que não é trend-hopping, é simplesmente boa composição. "Oscuro emerger" (3:23), outro dos singles que preparou o terreno para o lançamento, é a mais direta do disco — três minutos e pouco de death metal que não desperdiça um segundo.

A virada de chave acontece em "Entre la espada y la pared" (4:50) e "La congregación" (5:07), as faixas do meio que carregam o peso dramático do álbum. Aqui a banda deixa o groove trabalhar sem abrir mão da brutalidade — não é death metal melódico, não é progressive, é uma coisa que a Corrossive parece ter encontrado como identidade própria: riffs que machucam mas têm forma.

"Apóstatas" (6:01) e o fechamento épico de "La batalla de Aqueronte" (6:28) chegam como conclusão inevitável. A última faixa especialmente tem aquele peso de quem sabe que precisa fechar com chave de ouro — e fecha. Seis minutos e meio que passam sem que você perceba, o que é o maior elogio que se pode fazer a uma faixa de death metal.


A Formação e a Cena

A Corrossive atual é uma máquina de quatro pessoas bem calibradas: dois guitarristas (@the.magnificent.magician e @arcangel_djentcomo), baixo (@agustindunkel) e Martín Marques na bateria. O álbum foi mixado e masterizado por Diego Boquete — e a produção mostra: Inmortuae soa pesado sem soar bagunçado, algo que muita banda underground ainda não conseguiu equilibrar.

A identidade visual ficou nas mãos de Marcelo Germana, cujo trabalho na arte do álbum combina com a temática das letras — morte, rituais, batalhas mitológicas. A Astrid (@misfitastrid) assina a parte visual/editorial, e o próprio The Magnificent Magician dirigiu o material audiovisual da campanha. É uma banda que cuida da própria imagem sem depender de terceiros — underground de verdade, mas com profissionalismo.


Por Que Importa

O death metal argentino não é novidade — a cena de Buenos Aires tem histórico e peso. Mas o underground latino-americano segue sofrendo da mesma mazela de sempre: bandas surgem, lançam um demo, somem. A Corrossive existe desde 2016 com material no mundo, resistiu, e chegou em 2026 com o trabalho mais completo da carreira. Isso não é pouca coisa.

Inmortuae é um álbum de banda que sabe o que quer e sabe como fazer. Nada mais, nada menos — e no underground, isso já é mais do que suficiente pra merecer seu ouvido.


📍 Buenos Aires, Argentina 🎸 Corrossive | Instagram: @corrossivedeath 💿 Inmortuae — Full-length | Lançamento: 18/05/2026 | Independente 🎧 Ouça no Spotify: Link direto


#DeathMetal #UndergroundLatino #Argentina #RickzeraUnderground #MetalUnderground2026 #BrutalDeathMetal



sexta-feira, 22 de maio de 2026

05 Bandas de Stoner Metal da América Latina que Pesam Como Concreto e Fumam Como Vulcão




 

🔥 Ouça a playlist completa no Spotify: Aqui



O stoner metal nunca foi um gênero de holofote. Ele vive no calor do asfalto rachado, no peso de um riff que não tem pressa de chegar em lugar nenhum, no groove que te afunda no chão antes de te lançar no espaço. E enquanto o mundo olhava para o Deserto de Mojave como berço do gênero, a América Latina construía sua própria versão da coisa — mais suja, mais visceral, com menos glamour e mais entranhas.


Das ruas de Buenos Aires ao underground de algum lugar do Brasil ou de outro país, passando pelo cerrado e pelas montanhas andinas, o stoner latino tem uma identidade própria. Não é cópia do Kyuss nem do Sleep. É outra coisa. É pesado da forma que só aqui se aprende a ser pesado — com raiva, com pouca grana e com muito volume.


Esta é um ponto de entrada. Seis bandas que você precisa conhecer agora.


01 — Los Natas 🇦🇷

Stoner Rock / Desert Rock | Buenos Aires, Argentina

Você vai entender  que o stoner latino-americano, começa aqui. Os portenhos do Los Natas são a referência fundadora da cena no continente — ativos desde 1993 e responsáveis por provar que o deserto não precisava ser o de Coachella para dar origem a algo devastador. O som deles é seco, hipnótico e pesado como ferro velho. Riffs que se repetem até virar mantra. Bateria que não corre. Vocais que vêm de baixo.


O trio de Buenos Aires construiu uma discografia que qualquer fã do gênero precisa conhecer de ponta a ponta, mas é num álbum em específico que tudo se concentra:


Ouça: Ciudad de Brahman (2002) O ápice criativo da banda. Abre com "Carl Sagan 1" e daí em diante não te larga mais. Produção encardida, groove irresistível e aquela sensação de estar dentro de um carro em movimento num estrada sem fim. 


02 — Dragonauta 🇦🇷

Stoner / Space Doom / Psicodelia Pesada | Buenos Aires, Argentina

Argentina de novo — e não é por acaso. Buenos Aires no começo dos anos 2000 tinha algo acontecendo, e o Dragonauta era parte crucial disso. Se Los Natas eram o asfalto, o Dragonauta era o espaço sideral logo acima dele. A banda mistura o peso do doom com riffs stoner e uma vibe psicodélica que faz o tempo dobrar. É o tipo de banda que você coloca no fone às três da manhã e acorda em outro planeta.


O som é mais denso que o dos compatriotas, com camadas de guitarra que se acumulam até o ponto de saturação perfeita. Vocais ecos, baixo que domina, bateria que cadencia tudo com precisão cirúrgica.


Ouça: CabraMacabra (2006) O álbum é a porta de entrada ideal. Cada faixa é uma viagem densa que não pede licença pra começar.



03. Pesta 🇧🇷

Stoner Doom / Classic Doom Metal 

Direto de Belo Horizonte, o Pesta traz uma fusão poderosa entre Black Sabbath setentista, doom tradicional e riffs sujos carregados de fuzz. A banda possui aquela sensação de culto underground escondido em algum porão enfumaçado.


Ouça: Faith Bathed in Blood (2019) Peso sombrio, vocais cavernosos e clima ritualístico do começo ao fim. 



04. Mephistofeles 🇦🇷

 Stoner Doom / Occult Rock / Psychedelic Rock/Drone

Talvez uma das bandas mais cultuadas do underground recente. O Mephistofeles aposta em riffs repetitivos, vocais espectrais e uma atmosfera obscura que mistura ocultismo e psicodelia decadente.


Ouça: Whore (2016) Um disco cru, sujo e extremamente viciante para fãs de doom ocultista. Viagem começa na capa do álbum



05. Yajaira 🇨🇱

Stoner Rock / Sludge / Heavy Psych

O Chile possui uma cena pesada extremamente forte, e Yajaira é um dos nomes mais respeitados do underground local. O som alterna momentos psicodélicos com explosões de peso quase sludge metal.


Ouça: Lento y Real   com Grooves arrastados, riffs densos e uma energia totalmente visceral.



O stoner metal latino-americano continua sendo uma das cenas mais criativas e subestimadas do underground mundial. Existe algo diferente nessas bandas: uma mistura de caos urbano, misticismo ancestral, psicodelia tropical e peso visceral que cria uma identidade própria.


Enquanto o mainstream ainda olha para os mesmos nomes clássicos, o subsolo da América Latina segue produzindo riffs monumentais, atmosferas ritualísticas e discos que merecem muito mais reconhecimento.


Se você gosta de sons densos, hipnóticos e carregados de personalidade, essas bandas são apenas o começo da jornada.



Rickzera Underground — Metal Latino-Americano rickzeraunderground.blogspot.com

terça-feira, 19 de maio de 2026

11 Bandas de Death Metal Latino-Americano com Letras Anti-Religião e Anticlericalismo

 





Player Death Metal


  🔥💀

O death metal latino-americano sempre carregou uma identidade própria: produção crua, atmosfera extrema, crítica social intensa e uma relação muito particular com temas religiosos. Em muitos casos, as bandas usam o anticlericalismo não apenas como provocação, mas como crítica ao poder institucional, à hipocrisia religiosa e ao controle cultural exercido por igrejas ao longo da história da América Latina.




 1. Krisiun 🇧🇷

Uma das maiores exportações do death metal brasileiro. Formada em Ijuí no Rio grande do Sul a banda mistura brutalidade técnica com velocidade absurda. As letras frequentemente abordam blasfêmia, guerra espiritual e destruição de dogmas religiosos.

 Ouçam :  Conquerors of Armageddon - 2000

Um clássico absoluto do death metal sul-americano.



 2. Rebaelliun 🇧🇷

Conhecida por seu death metal veloz e extremamente agressivo, a banda brasileira trabalha temas ligados ao caos, satanismo, rebelião espiritual e oposição à religião organizada.

 Ouçam :  Burn the Promised Land - 1999

Produção brutal e riffs devastadores.



 3. Masacre 🇨🇴

Pioneiros do death metal colombiano. Suas letras abordam decadência humana, corrupção espiritual e violência institucional ligada à religião.

 Ouçam : Reqviem - 1991

Um marco do metal extremo latino-americano.



 4. Shub Niggurath 🇲🇽

Cultuada no underground mexicano, a banda traz influências ocultistas, anti-cristãs e lovecraftianas em suas composições.

 Ouçam : The Kinglike Celebration 1997

Som sombrio e ritualístico.



 5. NervoChaos 🇧🇷

Death metal sujo, blasfemo e violento. A banda trabalha constantemente temas anti-religiosos e demonológicos.

 Ouçam : Battalions of Hate - 2010

Excelente porta de entrada para o catálogo da banda.



 6. Hacavitz 🇲🇽

Mistura death e black metal com forte inspiração ocultista e anti-cristã. O som é ritualístico e extremamente pesado.

 Ouçam : Venganza - 2007

Cru, sombrio e hipnótico.



7. Sadism 🇨🇱

Veteranos do death metal chileno. Letras focadas em morte, blasfêmia e destruição espiritual.

 Ouçam : Tribulated Bells - 1992

Atmosfera densa e agressiva.



8. Internal Suffering 🇨🇴

Uma referência mundial no brutal death metal. Letras violentas envolvendo anti-cristianismo, ocultismo e perversão espiritual.

 Ouçam : Supreme Knowledge Domain - 1999

Brutalidade técnica extrema.



 9. Disgorge 🇲🇽

Importante nome do death metal mexicano, conhecido por letras mórbidas e abordagem blasfema.

 Ouçam : Forensick - 2000

Pesado, sombrio e brutal.



 10. Goat Semen 🇵🇪

Uma das bandas mais extremas do continente. Fortíssima temática anti-cristã, guerra espiritual e caos absoluto.

 Ouçam : En vivo en Lima Hell - 2007

Experiência sonora brutal e ritualística.



 11. Imperious Malevolence 🇧🇷

Death metal brasileiro brutal com forte influência anticristã e temática de guerra espiritual.

 Ouçam : Decades of Death - 2018

Ótima compilação para conhecer a banda.


O Death Metal Latino e o Anticlericalismo 🎸🔥

Diferente do anticristianismo teatral de parte do metal europeu, muitas bandas latino-americanas carregam um discurso mais ligado à realidade social do continente. Em países marcados historicamente pela influência religiosa na política, educação e costumes, o death metal acabou se tornando uma ferramenta de contestação cultural.

Isso não significa que todas essas bandas tenham posicionamentos filosóficos idênticos. Algumas usam imagética satânica como estética extrema; outras fazem crítica institucional direta; e há também grupos focados apenas em horror, ocultismo e atmosfera blasfema.


 O Death Metal Latino e o Anticlericalismo 🎸🔥

Enquanto parte do metal extremo europeu frequentemente utiliza o anticristianismo como provocação estética, muitas bandas latino-americanas desenvolveram uma abordagem mais conectada às tensões históricas e sociais do continente. Em uma região marcada por séculos de influência religiosa sobre política, educação, sexualidade e estruturas de poder, o death metal passou a funcionar também como linguagem de resistência cultural.

No underground latino, a crítica à religião costuma surgir menos como simples choque visual e mais como reação à autoridade institucional. Letras abordando opressão moral, manipulação espiritual, colonialismo religioso e hipocrisia clerical aparecem com frequência em bandas da América do Sul e Central. Em vários casos, o discurso anticlerical se mistura com críticas sociais mais amplas: desigualdade, violência estatal, repressão e conservadorismo cultural.

Ao mesmo tempo, existe diversidade dentro dessa temática. Nem todas as bandas possuem uma proposta ideológica uniforme. Algumas adotam simbologias satânicas e blasfemas como parte da tradição estética do metal extremo; outras desenvolvem críticas explícitas às instituições religiosas; e há ainda grupos focados principalmente em horror, ocultismo, morte e atmosferas ritualísticas, sem intenção política direta.

Outro ponto importante é o contexto histórico latino-americano. Diferentemente de países onde a secularização ocorreu mais cedo, muitos países da região mantiveram forte presença religiosa na vida pública durante décadas. Isso ajudou a transformar o metal extremo em um espaço de oposição cultural e afirmação underground. Em cenas locais frequentemente marginalizadas, a blasfêmia passou a representar também independência artística e rejeição a normas sociais rígidas.

Esse cenário contribuiu para que o death metal latino-americano desenvolvesse uma identidade própria: mais visceral, caótica e socialmente carregada. A agressividade sonora se combina com experiências reais de repressão, desigualdade e conflito cultural, criando obras que vão além da simples estética extrema e refletem aspectos profundos da história e da realidade do continente. ☠️🔥












segunda-feira, 11 de maio de 2026

5 Bandas de Folk Metal da América Latina que Usam Instrumentos e Línguas Indígenas

 


Das florestas ancestrais ao palco — a raiz que virou riffs



Folk Player Metal

01
🇧🇷
Arandu Arakuaa - Folk Metal
@aranduarakuaa
Surgidos no coração do cerrado brasileiro em 2006, os brasilienses do Arandu Arakuaa construíram um universo sonoro único ao fundir o thrash metal com a espiritualidade e os idiomas indígenas do Brasil Central — especialmente o Tupi e o Karajá. As letras tratam de cosmologia, resistência e identidade dos povos originários, tudo embalado por riffs furiosos e flautas nativas que cortam a mistura de forma cirúrgica. Nenhuma outra banda do continente soa tão genuinamente ligada à terra.

Ouça: Mrã Waze (2018)


02
🇲🇽
Cemican - Folk / Death Metal
@cemican_mex
De Guadalajara, o Cemican é a banda de folk metal mexicano que mais tem projeção internacional hoje. Com instrumentos pré-hispânicos — teponaztli, huehuetl, ocarina — misturados a um death metal de peso considerável, o grupo canta exclusivamente em Náhuatl, língua dos astecas, sobre rituais, deuses e o cosmos mesoamericano. A presença cênica da banda, com figurinos que remetem a guerreiros jaguar, transforma cada show numa cerimônia.

Ouça: In Ohtli Teoyohtica In Miquiztli (2019)

03
🇦🇷
Skiltron - Celtic / Folk Metal
@skiltron
Não é todo dia que você vê uma banda argentina tocando gaita escocesa com a convicção de quem nasceu em Edimburgo. O Skiltron faz exatamente isso: folk metal celta de alta energia, com gaiteiros no palco, melodias que evocam tavernas e batalhas medievais, e a energia de uma horda em plena marcha. Desde 2003, a banda de Buenos Aires se tornou referência no estilo tanto na América Latina quanto na Europa, com shows em festivais internacionais.

Ouça: Live at Wacken  (2018)

04
🇵🇪
Chaska - Death/Folk Metal (Andean Folk Metal)
@chaskamusic
O Chaska é o maior expoente do metal peruano que utiliza a "quena" e o "zampoña" (flautas andinas). Eles criam uma atmosfera épica que transporta o ouvinte para as montanhas dos Andes, celebrando a herança Inca.

Ouça: Rites of June (2024)


05
🇨🇱
Folkheim - Folk/Black Metal
@folkheim
Representando o Chile, o Folkheim traz uma sonoridade mais sombria e agressiva. Suas letras mergulham na história e na resistência do povo Mapuche, utilizando elementos étnicos para criar uma atmosfera de guerra e ancestralidade.

Ouça: Mapu Ñi Tiam (2012)


Entrevista COBENTRICE: Voz do Brutal Death Metal Colombiano

 RICKZERA UNDERGROUND, entrevista, arquivo nº002.  Banda: COBENTRICE.  País de origem: Colômbia.  Cidade: Pereira.  Gênero: Brutal Death Met...